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Artigo: Avanços da pecuária de corte

É fato que o nível tecnológico da pecuária ainda esteja bem aquém do que o adotado na produção agrícola. No entanto, engana-se quem acredita que não tenham ocorrido avanços na pecuária de corte.  A produtividade na pecuária dobrou no prazo de 20 anos. Saiu de 1,9 arrobas para 3,8 arrobas/hectare/ano. A área total de pastagem foi reduzida em 20 milhões de hectares no período, mesmo com o rebanho aumentando 46 milhões de cabeças.

O ritmo de implementação tecnológica é lento pelas próprias características da pecuária. Mesmo assim é intenso e tende a acelerar nos próximos anos. Um dos fatores que levam a essa aceleração é a mudança na relação de troca entre bezerros desmamados comprados e a venda de um boi gordo. Mesmo com o aumento gradual no peso médio da carcaça dos bovinos abatidos, a quantidade de bezerros adquiridas com a venda de um boi gordo vem se reduzindo. Na média de 2015, essa relação ficou abaixo de 2 bezerros por boi gordo vendido.

A relação de troca não é apenas um indicador de resultado para o comprador de bezerros. Uma relação mais apertada ao comprador força um ritmo de tecnificação maior. O raciocínio é simples.  Quanto mais caro for um bezerro diante do preço de um boi gordo, mais rápido e mais pesado o produtor terá que terminar este animal. Além de acelerar o ganho no animal, o produtor será obrigado a aumentar a lotação com o objetivo de ampliar a produtividade por área.

O peso de um boi gordo abatido, por exemplo, já supera as 18 arrobas na média nacional do abate formal. Fechados os dados do IBGE, o primeiro semestre de 2015 registrou o maior peso médio por carcaça abatida de toda a série histórica (18,10). Também para 2015, a Agroconsult estima que seja o primeiro ano em que a média entre machos e fêmeas supere as 16 arrobas ou 240 quilos de carcaça.

Essa realidade força ainda mais uma valorização e um estímulo ao setor de cria, responsável por produzir os bezerros e bezerras desmamadas. Por muitas décadas, a atividade de cria foi desestimulada pela baixa perspectiva de resultados econômicos com a implementação de tecnologia. Diferente da recria e engorda, ou mesmo de fazendas de ciclo completo, na produção de bezerros há um limite tecnológico para o aumento da lotação em animais por hectare. Esse limite ocorre pelo fato de que para a produção de um bezerro de 180 a 210 quilos de peso vivo, há a necessidade de manter, no mínimo, uma vaca de cerca de 450 quilos. Isso, no mínimo, pelo fato de que a porcentagem de desmame será sempre inferior a 100%. Além de pouco mais de uma vaca por bezerros (machos e fêmeas) desmamados, há a necessidade de manter parte de um touro, ou rufião.

Enfim, o que define o limite tecnológico para a atividade de cria é a precificação do bezerro. Até um determinado limite, a rentabilidade aumenta à medida que se intensifica, tal qual ocorre na recria e engorda e no ciclo completo. No entanto, a partir deste limite a rentabilidade por hectare começa a se reduzir. Esse limite não é fixo. Quanto maios altos forem os preços dos bezerros, maior será o limite de tecnologia que pode ser aplicado.

Portanto, a pecuária nacional vai consolidar os avanços dos últimos anos. Cada vez mais serão produzidos animais mais pesados, mais jovens, de melhor qualidade e ocupando o espaço com maior eficiência. Essa tendência se traduz em ganhos na produtividade por hectare.

Na amostragem do Rally da Pecuária de 2015, a Agroconsult – realizadora do projeto – encontrou 12% dos produtores atingindo mais de 18 arrobas/hectare/ano em produtividade. Lembre-se que a média nacional se aproxima de 4 arrobas/hectare/ano. Esses 12%, no entanto, foram responsáveis por 46% da venda de gado de 2014 dentro do público que respondeu a pesquisa do Rally da Pecuária 2015.

Embora os indicadores zootécnicos pesquisados na amostra do Rally não possam ser extrapolados para todo o Brasil, o comportamento mostra a nítida tendência de um ambiente cada vez mais competitivo para se manter na pecuária. O produtor que não se intensificar tende a não permanecer na atividade.

Fonte da Notícia
Agroanalysis