Diário de Bordo

Confinamento de animais pode subir 10% este ano em Goiás, projeta Faeg

Por * Marcela Caetano

 

No ano passado, 780 mil cabeças foram terminadas no cocho em propriedades no Estado, de acordo com a entidade. Preço da arroba deve voltar ao patamar de antes da operação Carne Fraca

 

Santa Helena de Goiás (GO) – O número de animais confinados em Goiás deve crescer até 10% neste ano sobre 2016, quando 780 mil cabeças foram terminadas no cocho, estima a Federação da Agricultura do Estado de Goiás (Faeg). O Estado tem o maior rebanho confinado do País.

“Quem faz confinamento está repetindo os níveis do ano passado e quem não estava fazendo isso está optando por confinar”, afirma o presidente da comissão de pecuária de corte da Faeg, Maurício Velloso. Mesmo com os preços da arroba perto de R$ 120, ele explica que a estratégia é parte de uma “administração de danos”. “Se o pecuarista não conseguiu ganhar, está fazendo o possível para não perder”.

Velloso reconhece, porém, que há muitos confinadores reticentes, em razão da instabilidade do mercado futuro do boi. “O que faz o confinador optar por fechar os animais é a perspectiva de lucro e há uma insegurança nesse sentido”, pondera ele.

Na avaliação do sócio da Agroconsult, Maurício Palma Nogueira, os preços no futuro não estimulavam a atividade porque estavam baixos, e os contratos chegaram a ser negociados por R$ 120 na segunda quinzena de junho, mas começam a melhorar. “O contrato com vencimento em outubro chegou a R$ 134 por arroba. Estamos na segunda semana de recuperação do mercado futuro e isso ajuda a estimular o interesse pelo confinamento.”

Ele observa que existe um acúmulo de gado que não foi vendido no começo do ano, seja por preços desfavoráveis ou receio de vender após a operação Carne Fraca, e é preciso dar vazão para este gado.

O preço do milho é outro fator positivo: com a supersafra se confirmando, os preços estão reduzidos. “Com a queda da cotação, o custo da dieta está 25% mais barato”, calcula Nogueira. O indicador Esalq bateu R$ 25,49 por saca de 60 quilos, na última terça-feira.

Para o segundo semestre, Velloso aposta na retomada dos valores de mercado da arroba anteriores à Carne Fraca. “Não era um cenário ideal, mas a perspectiva é de melhora, especialmente com o desenvolvimento do mercado externo”, diz. O volume exportado caiu 8% no primeiro semestre sobre um ano antes, para 652,9 mil toneladas.

No confinamento São Lucas, em Santa Helena de Goiás, no Sul do Estado, a meta é confinar 30 mil cabeças neste ano, alta de até 20% em relação a 2016. “O valor da arroba está muito ruim, se a cotação subir, a quantidade de animais aumentará. Caso contrário, fica no patamar que está”, conta o proprietário, Alexandre Parise.

O aumento no número de animais confinados será possível na propriedade, acredita Parise, devido a aquisição de bezerros em setembro do ano passado por até R$ 1 mil – R$ 100 a menos que valor pago em julho deste ano. “Quem se antecipou na compra da reposição e fechou os animais no primeiro giro está em uma situação mais confortável”.

A propriedade tem 500 hectares e confina animais da São Lucas e de terceiros. No ano passado, a propriedade focou nos animais próprios. Neste ano, 10% do total de animais confinados são de terceiros. Parise tem outras seis propriedades na região, nas quais mantém 2 mil hectares para os próprios animais de recria.

“O que faremos neste ano é retardar a entrada desses animais pelo menos até dezembro ou janeiro no confinamento, pois esperamos obter preços melhores”, diz Parise.

O pecuarista não crê, porém, em um cenário geral de avanço do confinamento em todo o Estado. “Apenas se arroba se recuperar, o segundo giro poderá ser maior do que foi o primeiro”, pondera Parise.

ICMS

Seguindo os passos de Mato Grosso, o governo de Goiás decretou em 21 de julho a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para gado em pé em operações interestaduais, de 12% para 7%.

“A medida dá competitividade para o setor”, afirma Velloso. “Com a oferta maior, em razão do ajuste de rebanho na transição do período das águas para a seca, os frigoríficos que operam no Estado estavam propondo preços baixos e o pecuarista aceitando esses valores por precisar fazer o descarte de animais”, explica o coordenador da Faeg.

A medida já começa a gerar procura pelos animais do Estado para abate em outras praças. O proprietário da fazenda Lagoa, em São Miguel do Araguaia, Caio Junqueira Reis, já recebeu propostas de compra de seus animais de frigoríficos de Minas Gerais. Ele faz recria e engorda a pasto de 1 mil cabeças em uma área de 900 hectares. “No momento, não vejo vantagem financeira na operação, mas acredito que isso vai ajudar na liquidez dos pecuaristas”, afirma. /* A repórter viajou a convite do Rally da Pecuária.

Fonte: DCI